Durante 20 anos, eu preparei centenas de crianças para a primeira comunhão.

A maioria delas decorava as orações sem entender.
Recebia a hóstia como quem recebe uma medalha e sumia da igreja logo depois.
Eu via rostos, ouvia vozes, corrigia provas, mas raramente via fé verdadeira.
Até o dia em que um menino de 13 anos entrou pela porta do salão paroquial, fez o sinal da cruz tão devagar que parecia um ritual sagrado e mudou tudo o que eu achava que sabia sobre santidade.
Meu nome é Júlia Fontana, tenho 58 anos, sou catequista da paróquia Santa Maria Segreta em Milão, desde 1997.
Quando Carlo Acutes entrou no meu grupo de catequese em 2004, ele tinha 13 anos, eu tinha 43.
Ele chegou com um caderno debaixo do braço, um terço no bolso e uma presença que eu só tinha sentido diante do sacrário.
O que eu vou te contar agora não é sobre um aluno exemplar, é sobre o menino que me ensinou que santidade não é distante, antiga, reservada para padres e freiras.
Santidade é possível aqui, agora pros jovens de jeans e tênis e sobre o sinal que ele deixou.
Um sinal tão impossível, tão único, que só poderia ser dele.
Se você acha que santo é gente de outro século que não erra, que não brinca, que não usa internet, prepare-se, porque o santo que eu conheci jogava PlayStation, comia pizza e sabia mais sobre eucaristia.
do que muito padre.
Milão, outono de 2004, salão paroquial da Igreja Santa Maria Segreta.
Eu não sabia que aquele sábado mudaria o resto da minha vida de fé.
Eu sempre fui católica, batizada aos três meses, primeira comunhão aos 8, crisma aos 15.
Casei com 25, com Roberto, um homem bom, trabalhador, fiel.
Tivemos três filhos, Mateu, Kiara e Luca.
Criamos eles na fé.
Batizado, catequese, missa aos domingos, tudo certinho.
Quando os três cresceram e saíram de casa, eu senti um vazio.
Não era tristeza, era falta de propósito.
Eu passava os dias limpando uma casa vazia, preparando jantares para dois, assistindo TV à noite e me perguntava: “É só isso? Eu vivi 40 anos para chegar aqui.
Foi quando o padre Giovani, pároco da minha paróquia, me convidou.
Júlia, a gente precisa de catequistas.
Você tem jeito com crianças? Já pensou em ajudar? Eu hesitei, padre.
Eu não sei se sou boa nisso.
Eu nunca estudei teologia.
Eu só sei o básico.
Ele sorriu.
Júlia, catequese não é sobre saber tudo, é sobre amar Jesus.
e passar esse amor adiante.
E você tem isso.
Aceitei.
E desde 1997, todo sábado de manhã, eu estava lá.
Salão paroquial, cadeiras de plástico, lousa branca, 12, 15 crianças de 10 a 14 anos.
Eu amava o que fazia.
Amava preparar as aulas, amava contar as histórias de Jesus.
Amava ver os rostinhos atentos quando eu falava de milagres, de santos, de céu.
Mas ao mesmo tempo eu carregava uma frustração silenciosa, porque a maioria das crianças só estava ali porque os pais mandavam.
Elas não queriam estar.
Ficavam inquietas, conversavam durante a aula, decoravam as respostas do catecismo só para passar na prova.
E depois da primeira comunhão sumiam.
Eu nunca mais via elas na missa e isso doía porque eu sabia que a Eucaristia não era só um ritual, não era só tradição, era Jesus presente, real, corpo, sangue, alma e divindade.
Mas como fazer elas entenderem isso? Eu rezava todo sábado antes da aula, eu me ajoelhava diante do sacrário e pedia: “Jesus, me ajuda.
Me manda alguém que realmente queira te conhecer.
Alguém que ame a Eucaristia como ela merece ser amada.
Alguém que me lembre porque eu faço isso.
E Deus ouviu.
Ele me mandou Carlo.
Eu respirava rotina, mas por dentro eu ansiava por ver fé verdadeira.
Não fé decorada, não fé forçada, mas fé viva, fé que transforma, fé que arde.
E estava prestes a vê-la encarnada num menino de 13 anos que amava Jesus mais do que qualquer adulto que eu já tinha conhecido.
Era um sábado de setembro de 2004.
O céu sobre Milão estava limpo, mas o ar já tinha aquele frescor de outono.
Eu cheguei no salão paroquial às 9 horas da manhã, como sempre.
Cadeiras arrumadas em semicírculo, lousa limpa, apostila sobre a mesa, crucifixo na parede, tudo pronto.
As crianças começaram a chegar aos poucos, conversando alto, rindo, empurrando uns aos outros.
O barulho crescia.
12 crianças de 12 a 14 anos.
Alguns eu já conhecia de anos anteriores, outros eram novos.
Eu bati palmas para chamar atenção.
Bom dia.
Sejam todos bem-vindos ao grupo de preparação para crisma.
Antes de começar, vamos fazer uma oração.
Todo mundo se levantou, alguns arrastando os pés, outros bocejando.
Fizeram o sinal da cruz rápido, mecânico.
Começamos a rezar o Pai Nosso.
A maioria murmurava as palavras sem pensar.
Olhos abertos, distraídos.
Menos um.
Tinha um menino na segunda fileira, magro, cabelo castanho escuro, um pouco bagunçado, pele clara, vestindo jeans e uma camiseta simples.
Ele fez o sinal da cruz devagar, tocando a testa, o peito, cada ombro com reverência.
E quando começou a rezar o Pai Nosso, fechou os olhos.
Não só fechou, ele estava ali presente, como se cada palavra tivesse significado real.
Venha a nós o vosso reino.
Ele dizia baixinho, mas eu ouvi porque tinha peso naquelas palavras.
Quando a oração terminou, todo mundo se sentou rápido, fazendo barulho de cadeira arrastando.
Mas ele ficou de pé mais alguns segundos, olhos ainda fechados, como se estivesse terminando uma conversa particular com Deus.
Depois abriu os olhos devagar, sentou, pegou o caderno e a caneta e me olhou esperando.
Eu comecei a aula.
Hoje vamos falar sobre a crisma, sobre o Espírito Santo, sobre como Deus nos fortalece para viver a fé no mundo.
Alguém aqui sabe o que é o Espírito Santo? Silêncio.
Algumas crianças se entreolharam, outras olharam pro teto, até que aquele menino levantou a mão.
“Pode falar”, eu disse.
Ele se levantou educado, respeitoso.
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade.
É Deus que age dentro de nós, que nos dá os dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.
E é através dele que conseguimos viver como Jesus viveu.
Eu fiquei parada, olhando para ele.
Não era resposta decorada, não era texto de catecismo repetido, era compreensão real.
Muito bem”, eu disse, tentando disfarçar a surpresa.
“Qual é o seu nome?” “Carlo.
Carlo Acutes.
” Ele sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno, e se sentou.
As outras crianças o olharam de lado, algumas com cara de que nerd, outras com curiosidade.
Eu continuei a aula, mas meus olhos voltavam sempre para ele, porque ele anotava tudo, não de forma robótica, mas atenta, como se cada palavra fosse importante.
No meio da aula, eu comecei a falar sobre os sacramentos, batismo, eucaristia, crisma.
Expliquei que a Eucaristia era o centro da nossa fé, que Jesus estava presente de verdade no pão e no vinho consagrados.
A maioria das crianças tinha aquela cara de já ouvi isso mil vezes mas Carlo estava inclinado paraa frente, atento, como se fosse a primeira vez que ouvia aquilo, ou como se nunca se cansasse de ouvir.
Quando eu terminei, ele levantou a mão de novo.
Júlia, posso fazer uma pergunta? Claro, Carlo.
Você vai à missa todo dia? A pergunta me pegou de surpresa.
Eu não, Carlo.
Eu vou aos domingos e às vezes durante a semana, quando dá.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois perguntou: “Mas se Jesus está lá de verdade todo dia, por que a gente não vai todo dia?” Eu não soube o que responder, porque ele tinha razão.
Se eu realmente acreditava que Jesus estava presente na Eucaristia, por que eu não ia todo dia? Eu engoli seco.
É uma boa pergunta, Carlo.
Eu eu vou pensar sobre isso.
Ele sorriu de novo e voltou a anotar, mas aquela pergunta ficou martelando na minha cabeça o resto da aula.
Alguns encontros duram minutos, mas abalam estruturas.
Nas semanas seguintes, Carlo continuou ouvindo, sempre pontual, sempre educado, sempre atento.
Mas eu comecei a reparar em coisas que me deixavam cada vez mais impressionada.
Ele sempre chegava cedo, uns 15 minutos antes da aula.
E eu descobri o porquê.
Ele ia pra igreja, se ajoelhava diante do sacrário e ficava lá em silêncio rezando.
Uma vez eu entrei para pegar algo e vi ele lá imóvel, mãos juntas, olhos fixos no sacrário, como se estivesse conversando com alguém que só ele via.
Eu não o interrompi, só fiquei observando, escondida atrás de uma coluna e senti algo que eu não sentia há anos.
inveja santa, inveja da intimidade que aquele menino tinha com Jesus.
Outra coisa que eu percebi, ele tratava todo mundo com carinho.
O menino bagunceiro que ninguém suportava, a menina tímida que ficava no canto, o adolescente rebelde que questionava tudo.
Carlo conversava com todos, perguntava como eles estavam, ajudava quando alguém não entendia algo e nunca, nunca julgava.
Uma vez um menino chamado Marco zoou ele na frente de todo mundo.
Carlo, você é muito certinho.
Você parece um padre.
Você não é normal.
As outras crianças riram.
Eu ia intervir, mas Carlo respondeu antes.
Ele sorriu sem raiva, sem mágoa.
Eu só tento ser amigo de Jesus, Marco, e ele é o melhor amigo que eu já tive.
Se isso não é normal, então eu não quero ser normal.
Marco ficou sem resposta e o riso parou.
Tem coisas que os olhos negam, mas a alma reconhece na mesma hora.
E quanto mais eu convivia com Carlo, mais eu percebia que eu não estava ensinando ele.
Ele estava me ensinando.
Foi na quinta semana de catequese.
Eu estava falando sobre os milagres de Jesus, multiplicação dos pães, cura do cego, ressurreição de Lázaro.
Carlo levantou a mão.
Júlia, posso mostrar algo pra turma? Claro, Carlo.
O que você quer mostrar? Ele pegou o caderno e dentro tinha algumas folhas impressas, fotos, textos, mapas.
Eu estou fazendo um site sobre milagres eucarísticos.
São milagres comprovados pela igreja, onde a hóstia consagrada virou carne, sangrou, curou pessoas.
Tem mais de 100 catalogados.
Eu queria compartilhar com vocês.
Eu fiquei sem palavras.
Você você está fazendo um site, sim, com ajuda de um amigo que sabe programar.
A gente tá colocando fotos, datas, locais, testemunhos para mostrar pro mundo que Jesus está realmente presente na Eucaristia.
Não é símbolo, é ele.
As outras crianças olharam para ele com cara de o que é isso? Mas eu eu senti um arrepio subindo pela espinha.
Aquele menino de 13 anos não estava só aprendendo sobre fé, ele estava evangelizando com as ferramentas do século XX.
Carlo, isso é, isso é incrível.
Você pode mostrar? Ele sorriu e começou a passar as folhas, cada milagre, cada foto, cada história.
E pela primeira vez as crianças ficaram em silêncio, prestando atenção, porque não era eu falando, era um deles.
E ele falava com paixão, com convicção, com amor.
Quando ele terminou, uma menina chamada Sofia levantou a mão.
Carlo, você realmente acredita nisso tudo? Ele olhou para ela.
Sério? Firme.
Sofia, eu não só acredito.
Eu sei porque eu encontro Jesus todo dia na missa e quando eu recebo ele, eu sinto.
Não é imaginação, é real.
Silêncio absoluto.
E foi naquele momento que eu entendi.
Deus tinha respondido minha oração.
Ele me mandou alguém que realmente amava a eucaristia.
Alguém que ia me lembrar porque eu fazia aquilo, alguém que ia transformar não só as crianças, mas a mim também.
Depois daquela aula, eu fiquei pensando: “Quem era aquele menino? De onde vinha aquela fé tão profunda? O que os pais dele fizeram para criar um filho assim? No sábado seguinte, eu chamei Carlo para conversar depois da aula.
Carlo, posso te fazer uma pergunta? Claro, Júlia.
Por que você ama tanto a Eucaristia? Ele ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para mim com aqueles olhos profundos.
Depois respondeu: “Porque lá eu encontro Jesus de verdade, corpo, sangue, alma e divindade não é ideia, não é sentimento, é ele.
E quando eu recebo ele, eu me torno mais parecido com ele.
E isso é tudo que eu quero.
” Eu senti as lágrimas subirem.
Carlo, você vai à missa todo dia? Sim, todo dia, antes da escola.
Todo dia.
Todo dia.
Porque como eu posso viver sem encontrar ele? E foi naquele momento que eu entendi.
Carlo não era apenas um aluno exemplar.
Carlo era um santo vivo e Deus tinha me dado o privilégio de caminhar ao lado dele, mas eu ainda não sabia o quanto esse privilégio ia doer, porque logo, muito logo, Deus ia levá-lo embora e deixar um sinal que só ele poderia deixar.
Foi numa manhã de outubro.
Eu cheguei cedo ao salão paroquial para organizar as cadeiras.
Algumas já estavam ocupadas.
Carlo estava lá sozinho, lendo seu caderno, mas naquele dia algo diferente aconteceu.
Enquanto as crianças conversavam, uma menina chamada Sofia se aproximou de Carlo e começou a perguntar sobre a Eucaristia.
Carlo, com paciência explicou que Jesus estava presente no pão consagrado e que cada comunhão era um encontro real com Deus.
Ele dizia: “Quando você está diante do sol, você se bronzeia, mas quando está diante de Jesus na Eucaristia, você se torna santo.
” Sofia perguntou a Carl: “Você acredita que pode ser santo?” Carlos sorriu.
A santidade é para todos, não é? Deus não faz reserva, só espera nosso sim com alegria.
Mas quem não busca Jesus na Eucaristia está perdendo a melhor parte da vida.
As palavras dele silenciaram o grupo inteiro.
Eu assistia de longe, sentindo um misto de orgulho e admiração.
Pela primeira vez, os alunos se mostravam envolvidos, atentos.
Carlo não dava aula formal, mas sua fala tocava cada um como se falasse diretamente ao coração.
Com o passar das semanas, percebi que Carlo estava mudando não só as crianças, mas também a mim.
Antes da catequese, comecei a entrar na igreja alguns minutos mais cedo.
Encontrava Carlo ajoelhado em adoração silenciosa diante do sacrário.
Certa vez, sentei ao lado dele.
Juliá, ele disse, tudo começa aqui com Jesus.
Depois disso, o catecismo vira só explicação do que o coração já sabe.
Minhas aulas se transformaram.
Deixei de lado parte das apostilas para aprofundar reflexões sobre o amor de Deus, a confiança, o desejo de ser santo no cotidiano.
Os alunos começaram a perguntar, a rezar com mais sinceridade.
Carlo criou ele mesmo um pequeno kit para ser santo, que entregava aos colegas com dicas simples: ir à missa, rezar o terço, ajudar os pobres, confiar em Maria.
Ele acreditava que ninguém precisava de grandes poderes ou dons especiais, só disposição de dar passos concretos para Deus.
Em fevereiro de 2006, Carlo começou a faltar esporadicamente.
Ficava pálido, cansado, com dores nas pernas.
Um sábado, depois da catequese, ele ficou para trás e veio conversar.
Júlia, você lembra do que Jesus disse sobre o grão de trigo que precisa cair na terra e morrer para dar fruto? Às vezes eu sinto que minha missão está quase cumprida.
Perguntei se estava bem.
Ele sorriu, um sorriso calmo, quase adulto.
Estou com medo, mas confio.
Dias depois, recebi a notícia.
Carlo estava internado, leucemia fulminante.
A turma inteira chorou.
Eu me senti perdida questionando por Deus levou alguém tão cheio de luz.
No último mês de catequese, Carlo voltou uma última vez ao salão paroquial, mesmo debilitado, para dar uma mensagem aos colegas.
Se vocês amam Jesus de verdade, nunca estejam longe da Eucaristia.
Eu não vou estar aqui para sempre, mas Jesus estará.
Ele entregou a cada criança uma pequena estampa de Maria com seu kit para ser santo.
Naquele dia, eu vi o impossível.
Vários alunos decidiram frequentar a missa durante a semana.
Começaram a rezar o terço em família e pedir intercessão de Maria.
Algo mudou na paróquia.
Não era só catequese, era fogo vivo.
A última frase que Carlo me disse foi: “O importante é que Jesus seja o centro.
Só ele pode deixar sinais que ninguém explica.
Eu não entendi totalmente, mas logo iria ver o sinal.
” Carlo morreu no dia 12 de outubro de 2006, às 6:45 da manhã.
Eu estava em casa quando recebi o telefonema de Antonia, a mãe dele.
Ela mal conseguia falar entre os soluços.
Deúlia, ele ele partiu, mas estava em paz.
Ele sorriu antes de fechar os olhos.
Desliguei o telefone e desabei.
Roberto me encontrou chorando no chão da cozinha.
Eu não conseguia entender por Deus levou um menino tão jovem, tão cheio de luz, tão necessário pro mundo.
Nos dias seguintes, entrei numa crise de fé profunda, não de discrença, mas de dor.
Dor de não entender os planos de Deus, dor de perder alguém que tinha me ensinado tanto, dor de ver as crianças da catequese chorando, perguntando: “Júlia, por que Deus deixou Carlo morrer?” Eu não tinha resposta.
Fui ao velório.
O caixão estava aberto.
Carlo vestia jeans e tênis como ele sempre quis.
No rosto dele, paz completa, como se estivesse apenas dormindo.
Ao redor, dezenas de pessoas, jovens, adultos, crianças, chorando, mas também rezando.
Eu me aproximei, toquei a mão dele já fria e sussurrei: “Carlo, você me ensinou mais em dois anos do que eu aprendi em 40.
Obrigada.
E por favor, do céu, continua me ensinando.
Três semanas depois da morte de Carlo, algo aconteceu que mudou tudo.
Era um sábado, dia de catequese.
Eu estava no salão paroquial, preparando a aula.
As crianças chegaram aos poucos, silenciosas, ainda tristes pela perda de Carlo.
Quando todos estavam sentados, eu disse: “Hoje vamos rezar pelo Carlo e vamos lembrar tudo o que ele nos ensinou.
” Começamos a rezar o terço.
No meio da oração, a porta do salão se abriu.
Uma mulher entrou carregando uma criança pequena no colo.
Ela estava chorando.
Desculpa interromper, mas eu preciso contar uma coisa.
Eu me levantei.
Pode falar, senhora.
Ela respirou fundo.
Meu filho, Matel tem 3 anos.
Ele nasceu com uma doença rara no pâncreas.
Ele não consegue digerir comida.
Ele vomita tudo.
Os médicos disseram que não tem cura, que ele vai morrer.
As crianças ficaram em silêncio, olhando para ela.
Ela continuou.
Eu ouvi falar de Carlo, de como ele amava a Eucaristia, de como ele era santo.
E eu rezei para ele todo dia, pedindo que intercedesse pelo meu filho.
As lágrimas escorriam pelo rosto dela.
E hoje, hoje eu fui no médico, fiz novos exames e o médico disse que não tem mais nada.
A doença sumiu.
Não tem explicação.
É, é milagre.
Eu caí de joelhos.
As crianças começaram a chorar.
Mas não de tristeza, de alegria, de espanto.
Carlo fez isso? Perguntou Sofia.
Eu olhei para ela e disse com a voz embargada: “Sim, Carlo continua aqui.
Ele não morreu.
Ele só foi pro céu, mas continua intercedendo por nós.
” E foi naquele momento que eu entendi o sinal.
Carlo tinha dito: “O importante é que Jesus seja o centro.
Só ele pode deixar sinais que ninguém explica.
E ele estava certo.
Aquele milagre não era de Carlo, era de Jesus através de Carlo.
Os anos passaram, o testemunho daquela mãe se espalhou.
Outras pessoas começaram a rezar pedindo a intercessão de Carlo e outros milagres aconteceram.
Em 2013, um menino brasileiro chamado Mateus, de 3 anos, foi curado de uma doença pancreática rara depois que a família rezou diante de uma relíquia de Carlo.
Esse foi o primeiro milagre reconhecido oficialmente pela igreja, que levou à beatificação de Carlo em 2020.
Em 2022, uma jovem da Costa Rica chamada Valéria sofreu um acidente de bicicleta e teve hemorragia cerebral.
A mãe dela foi ao túmulo de Carlo em Assis e rezou.
No mesmo dia, Valéria começou a respirar sozinha e se recuperou completamente.
Esse foi o segundo milagre reconhecido pelo Papa Francisco em 2024.
E eu eu continuei sendo catequista, mas agora eu ensinava diferente.
Eu contava a história de Carlo em todas as aulas, mostrava fotos dele, ensinava as crianças a amarem a Eucaristia como ele amava.
E algo incrível aconteceu.
As crianças mudaram.
Elas começaram a ir à missa durante a semana.
Começaram a rezar o terço.
Começaram a perguntar sobre santos, sobre Deus, sobre santidade, porque Carlo, mesmo morto, continuava ensinando.
No dia da beatificação de Carlo, eu estava em Assis, na basílica, onde o corpo dele foi trasladado.
Quando o cardeal descobriu o retrato do beato Carlo Acutes, eu caí de joelhos e chorei.
Mas não era choro de tristeza.
Era de gratidão.
Gratidão por ter conhecido ele.
Gratidão por ter sido ensinada por ele.
Gratidão por testemunhar que santidade é possível aqui, agora, para qualquer um.
Naquela noite voltei pro hotel, abri a Bíblia aleatoriamente, como sempre faço, e caí numa passagem de São Paulo.
Sede imitadores meus, como eu sou de Cristo.
Meira Coríntios 11 e não fechei a Bíblia e ouvi no fundo da alma a voz de Carlo.
Júlia, agora é sua vez.
Ensina os outros a imitarem Jesus, como eu fiz.
Em 2023, 17 anos depois da morte de Carlo, algo aconteceu que confirmou tudo.
Uma menina da minha catequese, Sofia, aquela mesma que tinha perguntado se Carlo realmente acreditava, foi diagnosticada com leucemia, a mesma doença de Carlo.
A mãe dela veio até mim desesperada.
Júlia, o que eu faço? Eu segurei a mão dela e disse: “Reza, pro Beato Carlo, ele entende dessa dor.
Ele passou por isso e ele pode interceder pela sua filha.
Dei para ela uma imagem de Carlo que eu sempre carrego na bolsa.
Três meses depois, os exames mostraram.
A leucemia tinha sumido.
Os médicos não entenderam, mas nós entendemos.
” Carlo continuava intercedendo.
Carlo continuava deixando sinais que só ele poderia deixar.
Se você está ouvindo isso agora, irmão, irmã, eu não acredito que seja por acaso.
Talvez você seja catequista como eu.
Talvez você seja professor, pai, mãe, avô, avó, alguém que ensina, que forma, que cuida de crianças e jovens.
E talvez você esteja cansado, talvez sinta que ninguém te ouve, que as crianças não prestam atenção, que você fala, fala, fala, mas nada muda.
Eu entendo, eu já estive aí, mas eu te digo, não desiste, porque Deus pode colocar no teu caminho um Carlo, alguém que vai te transformar, alguém que vai te ensinar mais do que você ensinou, alguém que vai te lembrar porque você faz o que faz.
E se você é jovem, se você tem 13, 15, 20, 25 anos, você pode ser o próximo, Carlo.
Você pode viver intensamente.
Você pode amar Jesus de verdade.
Você pode usar a internet, como ele usou, para espalhar fé.
Você pode ser santo agora, não depois.
Não quando você for velho, agora.
Carlo dizia: “Todos nascemos originais, mas muitos morrem como fotocópias.
Não morre fotocópia.
Não imita o mundo.
Não desperdiça a tua vida correndo atrás de coisas que não vão pro céu contigo.
Vive com propósito.
Vive para Jesus.
Talvez você esteja passando por algo difícil agora.
Talvez você tenha alguém doente, um filho, uma filha, um neto, um pai.
uma mãe e você não sabe mais o que fazer, não sabe mais como rezar, não sabe se Deus tá ouvindo.
Você passa as noites em claro, olhando pro teto, pedindo um milagre.
Eu entendo.
Eu já estive aí.
Eu vi Carlo partir.
Eu vi crianças da minha catequese adoecerem.
Eu já senti o desespero de não ter respostas.
Mas eu te digo uma coisa que eu aprendi.
Deus nunca abandona ninguém.
Ele pode não curar da forma que você quer.
Ele pode não responder do jeito que você espera, mas ele sempre envia consolo, sempre envia paz, sempre envia sinais que só ele pode dar.
No meu caso, ele enviou Carlo e através de Carlo, ele continua enviando milagres.
Dois milagres reconhecidos oficialmente pela igreja.
Mateus, menino brasileiro de 3 anos, curado de doença pancreática rara em 2013.
Valeria, jovem da Costa Rica, curada de hemorragia cerebral em 2022 e centenas, centenas de outros relatos não oficiais.
Pessoas curadas, vidas transformadas, conversões, vocações, tudo por interceção de um menino que morreu com 15 anos, mas que continua vivo, porque santidade não morre.
Eu passei 20 anos sendo catequista, achando que eu sabia ensinar sobre Deus, mas Carlo me provou que eu não sabia nada.
Ele me ensinou que Deus não é teoria, não é catecismo decorado, não é tradição vazia.
Deus é encontro, encontro real na Eucaristia todo dia.
Carlo dizia: “A Eucaristia é a minha autoestrada para o céu.
Autoestrada.
Não caminho tortuoso, não trilha difícil, autoestrada, rápida, direta, eficiente.
E ele ia à missa todo dia antes da escola, todo dia, sem falhar.
Porque para ele encontrar Jesus na Eucaristia não era obrigação, era necessidade, era oxigênio.
Ele também dizia: “Quanto mais eucaristias recebermos, mais nos tornaremos semelhantes a Jesus.
E já nesta terra teremos um antegozo do céu.
E quando eu finalmente comecei a ir à missa durante a semana, seguindo o exemplo dele, eu entendi.
Eu senti aquela paz que Carlo tinha.
Eu também senti diante do Santíssimo Sacramento, diante de Jesus escondido naquela hóstia branca e simples.
Se você tá longe da missa, volta.
Se você vai, mas não sente nada, pede a Carlo que te ensine a ver, porque ele via e ele quer te ensinar também.
Não eu, mas Deus.
Essa era a frase que Carlo repetia.
Não ele no centro, mas Deus.
Quantas vezes a gente coloca a gente mesmo no centro? Nossos planos, nossos sonhos, nossos medos, nossas ambições, nossos likes, nossos seguidores e Deus fica na periferia.
Ou nem isso.
Mas Carlo inverteu isso e por isso ele é santo e você pode fazer o mesmo hoje, agora.
Então, o que você vai fazer com essa história? Você vai fechar esse vídeo, voltar pro seu dia, scrollar o feed, assistir mais um TikTok e fingir que nada mudou, ou você vai deixar isso te transformar? Porque essa é a escolha.
Todo dia a gente escolhe.
Se você tá longe de Deus, vai à missa, nem que seja uma vez.
Só para testar, só para ver se você sente algo.
E se não sentir na primeira, vai de novo, porque às vezes Deus fala baixinho e a gente precisa aprender a ouvir.
Reza 1/3.
Não precisa ser perfeito.
Não precisa saber todas as orações.
Só pega o terço, abre o YouTube, procura como rezar o terço e segue junto.
A Virgem Maria tá esperando você.
Pede a intercessão de São Carlo.
Acutis.
Fala com ele como se fosse um amigo, porque ele é.
Conta para ele o que você tá passando.
Pede ajuda, ele escuta e ele intercede.
Se você já tem fé, mas tá morno, intensifica.
Vai à adoração eucarística.
Fica meia hora, uma hora em silêncio diante de Jesus, sem celular, sem distração.
Só você e ele oferece teus sofrimentos, como Carlos fazia.
Toda dor, toda dificuldade, toda cruz oferece pela conversão dos pecadores.
Nada se perde, tudo vira graça.
Evangeliza do jeito que você puder, pelas redes sociais, como Carlo fazia, ou pessoalmente, compartilhando testemunhos, levando alguém à missa, sendo luz onde você está.
E se você tá sofrendo, se você tá doente, se você tá com medo, lembra, você não está sozinho.
Deus tá contigo, Carlo tá contigo, os santos estão contigo.
A igreja tá rezando por você.
Confia mesmo quando não entende, mesmo quando dói, mesmo quando parece que Deus tá em silêncio.
Ele tá trabalhando.
Ele tá preparando algo que você ainda não vê.
Oferece como Carlo fez.
oferece tudo a Deus e descansa nele.
Hoje eu tenho 58 anos.
Eu continuo sendo catequista, mas agora eu ensino diferente.
Eu conto a história de Carlo em todas as aulas.
Eu mostro fotos dele.
Eu ensino as crianças a amarem a Eucaristia como ele amava.
E algo incrível aconteceu.
As crianças mudaram.
Elas começaram a ir à missa durante a semana.
Começaram a rezar o terço, começaram a perguntar sobre santos, sobre Deus, sobre santidade, porque Carlo, mesmo morto, continua ensinando.
Eu posso dizer sem medo, sem dúvida, sem hesitação.
Eu conheci um santo e ele me transformou, não por tradição, não por medo, mas porque eu vi a santidade viva.
Eu vi um menino de 13 anos que amava Jesus mais do que qualquer adulto que eu já tinha conhecido.
E se Carlo com 15 anos conseguiu viver isso intensamente, eu também posso e você também.
Então eu te faço o mesmo convite que Carlo me fez naquele sábado de setembro de 2004, quando ele levantou a mão e perguntou: “Se Jesus tá lá de verdade todo dia, por que a gente não vai todo dia? Pensa nisso e responde no teu coração.
Se essa história mexeu com você, se ela te fez chorar, se ela te fez questionar, se ela te fez sentir algo que você não sentia há muito tempo, não guarda só para você.
Se inscreve no canal para continuar caminhando comigo nessas histórias de fé, de milagres, de testemunhos reais, de gente como eu e você.
Porque isso aqui não é só conteúdo, não é só entretenimento, é missão, é testemunho, é corrente de milagres.
Comenta aqui embaixo.
Eu quero saber de você o nome de alguém que você quer que eu reze ou um testemunho seu de milagre, de cura, de intercessão de Carlo.
Eu leio todos os comentários.
Eu rezo por cada um e juntos nós formamos uma rede de oração, uma rede digital de fé, uma comunidade de intercessão, exatamente como Carlos sonhou quando criou o site dos milagres eucarísticos.
Se isso falou com sua alma, deixe um super thanks.
Você não tem ideia do quanto isso ajuda.
A mensagem chegar a outras pessoas e você pode ser para alguém o instrumento que Deus vai usar para mudar uma vida.
Como Carlo foi para mim, como esse vídeo pode ser para alguém.
Eu te falo isso hoje de Milão, anos depois daquele outono de 2004, ainda com a imagem de Carlos sentado na segunda fileira, fazendo o sinal da cruz devagar, olhando para mim com aqueles olhos profundos, ainda ouvindo a voz dele, perguntando: “Se Jesus está lá de verdade todo dia, por que a gente não vai todo dia?” E agora eu sei a resposta.
A verdade que Carlo viveu, a verdade que ele me ensinou, porque a gente esquece, porque a gente se distrai, porque a gente coloca outras coisas na frente.
Mas Jesus nunca esquece, Jesus nunca desiste.
Jesus está lá esperando.
Tudo começou naquele salão paroquial, naquela pergunta simples, naquele menino de tênis surrado e olhos brilhantes.
Hoje continua aqui entre eu e você nessa tela, nessa conversa, nesse encontro que não é por acaso.
São Carlos Acutes, rogai por nós.
Que Deus te abençoe e te encha de paz onde você está.
Que ele te dê coragem para viver a fé com radicalidade.
Que ele te mostre, como mostrou para mim, que santidade não é distante, é possível.
E lembra, você não está sozinho.
Deus tá contigo, os santos estão contigo.
E Carlo, Carlo tá intercedendo por você agora mesmo, deixando sinais que só ele poderia deixar.
Nos vemos no próximo vídeo, ou melhor, nos vemos na eternidade.
Até lá, vive a tua fé sem medo, sem vergonha, sem desperdício, como Carlo viveu, como ele me ensinou, como você pode viver também.
Amém.